Ele passou o meio da noite acordado
Soltou um gemido rouco, baixo, quase imperceptível
Muito parecido com um animal quando esta ferido
E era desse modo que estava se sentindo, como há um animal ferido
Com sangue escorrendo de sua ferida exposta,
Ferida que nunca cicatriza
Que lateja sempre quando o outro não esta por perto
Enfiou a mão por debaixo da camiseta
Os dedos finos tocaram a carne quente
Tentava achar a tal ferida
Mais só encontrou um peito
Levantou-se,
Jogou o lençol de lado que rolou para o chão,
Ainda com o corpo quente atravessou com passos miúdos o quarto escuro
Tateou com precisão os moveis a sua frente para não esbarrar
Abriu a porta sem fazer ruídos
Bastava os seus próprios ruídos, aqueles que vinha de dentro de si
Que só ele ouvia quando achava que ninguém prestava atenção nele
Sentiu de imediato o vento gelado de fora bater no seu rosto
Fazendo espalhar os fios dos seus cabelos na cabeça
Caminhou lentamente sentindo sob os pés descalços o piso frio e húmido
Segurando com força uma das mãos na parede no corrimão para não cair ali procurava ser cuidadoso
Não queria acordar ninguém, não queria acordar a casa
A camiseta branca colava no seu peito a cada passo,
A calça amarrotada tremulava agarrando-se em suas pernas
Via cada vez que se aproximava da mureta as gotas finas
Gotas que atravessavam o manto da noite e caiam levemente
Gotas que se avolumavam, formavam poças claras, desciam em cascatas pela rua
E eram engolidas pelo primeiro bueiro que encontravam
Ele bateu o joelho na mureta, não percebeu que o terraço tinha terminado
Deixou os braços relaxarem sobre a parede fria
E ali com metade do corpo agora colado na mureta
Sentindo mais forte o vento bater em seu rosto ainda intumescido….
Soltou um gemido rouco, baixo, quase imperceptível
Muito parecido com um animal quando esta ferido
E era desse modo que estava se sentindo, como há um animal ferido
Com sangue escorrendo de sua ferida exposta,
Ferida que nunca cicatriza
Que lateja sempre quando o outro não esta por perto
Enfiou a mão por debaixo da camiseta
Os dedos finos tocaram a carne quente
Tentava achar a tal ferida
Mais só encontrou um peito
Levantou-se,
Jogou o lençol de lado que rolou para o chão,
Ainda com o corpo quente atravessou com passos miúdos o quarto escuro
Tateou com precisão os moveis a sua frente para não esbarrar
Abriu a porta sem fazer ruídos
Bastava os seus próprios ruídos, aqueles que vinha de dentro de si
Que só ele ouvia quando achava que ninguém prestava atenção nele
Sentiu de imediato o vento gelado de fora bater no seu rosto
Fazendo espalhar os fios dos seus cabelos na cabeça
Caminhou lentamente sentindo sob os pés descalços o piso frio e húmido
Segurando com força uma das mãos na parede no corrimão para não cair ali procurava ser cuidadoso
Não queria acordar ninguém, não queria acordar a casa
A camiseta branca colava no seu peito a cada passo,
A calça amarrotada tremulava agarrando-se em suas pernas
Via cada vez que se aproximava da mureta as gotas finas
Gotas que atravessavam o manto da noite e caiam levemente
Gotas que se avolumavam, formavam poças claras, desciam em cascatas pela rua
E eram engolidas pelo primeiro bueiro que encontravam
Ele bateu o joelho na mureta, não percebeu que o terraço tinha terminado
Deixou os braços relaxarem sobre a parede fria
E ali com metade do corpo agora colado na mureta
Sentindo mais forte o vento bater em seu rosto ainda intumescido….
Wilton Borba
15/11/2011