" A decepção é a fonte da minha arte e a arte á fonte de inspiração da sociedade "



" A decepção é a fonte da minha arte e a arte é a fonte de inspiração da sociedade"

domingo, 4 de dezembro de 2011

FERIDA DA SAUDADE!!!!

Ele passou o meio da noite acordado
Soltou um gemido rouco, baixo, quase imperceptível
Muito parecido com um animal quando esta ferido
E era desse modo que estava se sentindo, como há um animal ferido
Com sangue escorrendo de sua ferida exposta,
Ferida que nunca cicatriza
Que lateja sempre quando o outro não esta por perto
Enfiou a mão por debaixo da camiseta
Os dedos finos tocaram a carne quente
Tentava achar a tal ferida
Mais só encontrou um peito
Levantou-se,
Jogou o lençol de lado que rolou para o chão,
Ainda com o corpo quente atravessou com passos miúdos o quarto escuro
Tateou com precisão os moveis a sua frente para não esbarrar
Abriu a porta sem fazer ruídos
Bastava os seus próprios ruídos, aqueles que vinha de dentro de si
Que só ele ouvia quando achava que ninguém prestava atenção nele
Sentiu de imediato o vento gelado de fora bater no seu rosto
Fazendo espalhar os fios dos seus cabelos na cabeça
Caminhou lentamente sentindo sob os pés descalços o piso frio e húmido
Segurando com força uma das mãos na parede no corrimão para não cair ali procurava ser cuidadoso
Não queria acordar ninguém, não queria acordar a casa
A camiseta branca colava no seu peito a cada passo,
A calça amarrotada tremulava agarrando-se em suas pernas
Via cada vez que se aproximava da mureta as gotas finas
Gotas que atravessavam o manto da noite e caiam levemente
Gotas que se avolumavam, formavam poças claras, desciam em cascatas pela rua
E eram engolidas pelo primeiro bueiro que encontravam
Ele bateu o joelho na mureta, não percebeu que o terraço tinha terminado
Deixou os braços relaxarem sobre a parede fria
E ali com metade do corpo agora colado na mureta
Sentindo mais forte o vento bater em seu rosto ainda intumescido….


Wilton Borba
15/11/2011

TE AMO!!!!!

Estou andando na ponte da felicidade
Olhando lá para baixo para o rio do amor correndo
Contando o tempo enquanto ele insisti em passar lentamente
Estou brincando com as estrelas cadentes
Cantando na chuva
Gritando para a noite seu nome e ouvindo o eco acordar o mundo
Estou voando nas nuvens
Rindo como um bobo pelas ruas
Nadando em lagos de lembranças
Cavalgando em momentos nossos
Estou falando com as paredes
Dando ouvidos ao coração
Amando a cada dia um certo alguém, a sua pessoa minha princesa
Estou navegando no barco dos sonhos
Dançando a música das almas
Aprendendo e ensinando com você
Estou aspirando o perfume das rosas no jardim da paixão
Escorregando no tobogã do prazer
Sentindo deslizar da minha boca cachoeira de mel
Estou abraçando o universo
Visitando a lua
Viajando por campos verdejantes
Explorando seu corpo
Estou assistindo o por do sol todos os dias
Caminhando descalço pela areia branca
Me banhando de rio, mar e oceano
Me perdendo só para você me encontrar!!
Estou pulando de alegria
Sentindo um friozinho na barriga
Uma pontinha no peito
Um tantinho de saudade
Estou aqui tentando encontrar uma palavra
Um significado qualquer
Simplesmente um meio para te dizer
O quanto TE AMO e ADORO-TE!!!



Wilton Borba
15/11/2011

INÌCIO

Imaginava que seria diferente,
Na verdade não
Imaginava que tudo seria igual
cada momento
cada palavra
cada beijo
cada toque
cada olhar
Mais hoje
vejo que não
Que me enganei
Que fui pretensioso
Querendo prever o amanha antecipadamente
E errei,
Errei feio
Você faz da minha vida
Do despertar ao deitar
Uma surpresa a cada instante
Uma loucura prazerosa
Um milagre que a mim foi concebido e presenteado
Com você não existe o Igual
E sim O Novo, o desigual
Te amo
Com uma força que achava não existir
Que até então desconhecia
Inexoravelmente poderosa e maravilhosa de se sentir
E você me mostrou
Me revelou
Com seu jeito de olhar
Com seu jeito de falar
Com seu jeito de ser
Te amo
E isso foi o Início
O principio e sempre será assim
Pois independentemente do que acontecer temos que estar juntos…

 
Wilton Borba
15/11/2011

Noite sombria!!!!!

Olho lá para fora
E vejo uma neblina fina descer do céu escuro
Um vento gélido entra pelo quarto
Faz arrepiar minha pele
Tremer meu corpo
Desejar quase me incendiar
As estrelas hoje estão escondidas
Nuvens espessas, que cobrem como um manto cinza a imensidão do céu
O relógio ao meu lado marca quase o fim do dia
Conto os segundos na tentativa de esquecer rostos,
De esquecer palavras,
De esquecer você
Mais é impossível
Me sinto nú encima dessa cama gelada
Sem braços para me abraçar
Sem outro calor para me aquecer
Me supreendo chamando seu Nome
Grito por você num susurro seco, violento
Mais o silêncio é o único que responde
E me manda calar com suas mãos frias, congelantes
Encolhido tento adormecer
Tento me entregar a essa noite sombria
Com todos os pensamentos de você me aquecendo por dentro. 

Wilton Borba
15/11/2011

Por que Não!!!!

Olho o espelho e vejo a imagem de um rosto assustado
Receioso de dar o próximo passo
Fico olhando para aquela figura refletida
Imaginando que pode ser qualquer um enquadrado
Torcendo para que não me reconheça
Não agora do jeito que estou
Indefeso, fragil
Vulneravel,
Camuflado em um corpo nú e molhado
A imagem me observa, me avalia
Não sou este rosto retorcido que vejo
Nem tenho este olhos tão negros e amendoados que me olham
Não sou este ser imóvel, pedrificado num pedaço de espelho
cabelos revoltos, algo morto no canto da boca
Quem é este então que me olha e segura nos lábios um sopro
Será uma palavra que quer dizer
Será algo que quer me revelar
Ou apenas fingi que sabe
Sabe quem sou?
E não me culpa!
Pois sabe que vou, que eu vou sempre gostar de ti....
Porque sou o teu esconderijo… a tua posição e não só…
“Desse poço não quero sair
Quero passar anos e décadas e a eternidade lá
Agora encontrei o que sempre procurei
Espero que esse poço nunca desabe sobre mim
Mas que me afogue com suas virtudes encantadoras e amáveis
Pois eu entro de corpo e alma e espero nunca chegar ao fim”

Wilton Borba
15/11/2011